Uma vida entre dados nucleares, saúde e compromisso social
- AAFIB
- há 2 dias
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Raquel Paviotti Corcuera
Série: Minhas História nas Nações Unidas
Maio / 2026
Qual é a chance de encontrar, no interior de São Paulo, uma argentina associada da AAFIB que é especializada em energia nuclear e cuja carreira a levou a instituições científicas no Brasil, na França, nos Estados Unidos, além das Nações Unidas? A trajetória de Raquel Paviotti Corcuera parece improvável à primeira vista — e talvez seja exatamente por isso que seja tão interessante.

Originária de Córdoba e formada em Física nos anos 1960, Raquel trouxe para o Brasil o rigor de sua formação no Instituto de Física de Bariloche. Doutora em Física de Reatores, ela escolheu São José dos Campos como base de sua vida profissional e pessoal. Entre 1978 e 1994, atuou no Instituto de Estudos Avançados (IEAv), uma organização científica e tecnológica da Aeronáutica, no processamento de dados nucleares, área essencial para o desenvolvimento e a segurança de reatores nucleares e para aplicações em muitas outras áreas, como agricultura, medicina e medicina diagnóstica.
Mesmo antes de sua passagem pela AIEA, Raquel já havia construído uma carreira internacional. Trabalhou na Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina e no Centre d’Études Nucléaires de Cadarache, na França. Também atuou, entre 1987 e 1989, no Oak Ridge National Laboratory, nos Estados Unidos, onde desenvolveu trabalhos relacionados a bases de dados e aplicações computacionais para dados nucleares.
Em 1995, passou a atuar no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos. Sua contribuição esteve ligada principalmente à organização de dados científicos e ao apoio a atividades do Instituto Interamericano para Pesquisas em Mudanças Globais (IAI) e do próprio INPE.
Da esquerda para a direita:
Foto 1 - Na IAEA em Viena, 2008
Foto 2 - Na IAEA, em Viena, com os colegas, 2001 (blazer, lenço e blusa vermelha)
Foto 3 - Quando ganhou US$1 mil para um projeto social de São José dos Campos (a da direita na foto)
Mudança para Viena
Essa especialização em dados nucleares a levou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, onde trabalhou entre 1997 e 2004. Na agência, participou de projetos de atualização de dados nucleares para aplicação em medicina, inclusive em iniciativas ligadas à produção de radioisótopos terapêuticos usados no tratamento do câncer. Tratava-se de um trabalho científico e técnico de grande responsabilidade: garantir que os dados nucleares usados em aplicações médicas e industriais fossem consistentes e seguros.
“Lembro-me de quando cheguei a Viena e precisava procurar um apartamento. A secretária da Seção de Dados Nucleares teve uma paciência enorme e me acompanhou até encontrarmos um lugar que coubesse no meu orçamento. Nunca esquecerei a diligência da Monica. Ela era belga, mas já morava em Viena há mais de dez anos e foi fundamental naquela transição”, recorda Raquel.
Em 2005, o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para assegurar o uso pacífico da energia nuclear. Pela contribuição prestada a esse trabalho, Raquel recebeu da agência um certificado de reconhecimento.

Ação social
Mas o compromisso de Raquel com a sociedade nunca se limitou aos laboratórios. Além da vida científica, ela sempre se dedicou a causas sociais. Entre elas está seu apoio à Associação Ágape, de São José dos Campos, que desenvolve serviços, atividades e programas voltados ao atendimento de adolescentes, jovens e adultos com deficiência. Também se envolveu na disseminação de informação sobre fibromialgia, síndrome da qual é portadora. Fez palestras sobre o tema na Câmara Municipal da cidade, traduzindo o conhecimento científico sobre a doença para uma linguagem acessível ao público.










