Protagonismo brasileiro na ONU
- AAFIB
- há 2 dias
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Iniciamos uma nova série de textos dedicados aos brasileiros que ocuparam posições de liderança no topo das Nações Unidas, um registro do impacto de nossos técnicos e diplomatas no cenário global. Ao longo das décadas, nomes como José Graziano da Silva (FAO), Sérgio de Queiroz Duarte (Desarmamento) e Achim Steiner (PNUMA e PNUD) elevaram a voz do Brasil no multilateralismo. No entanto, abrimos esta sequência com o recordista absoluto de permanência em um cargo de cúpula: o médico carioca Marcolino Gomes Candau, que serviu como Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) por 20 anos, entre 1953 e 1973.

Conforme detalha o perfil da revista Piauí, escrito por Paulo Lyra, Candau era o "brasileiro cordial" no sentido mais diplomático do termo: um homem discreto, avesso a ruídos e profundamente eficiente. Ele assumiu a OMS em seus anos iniciais e a transformou em uma potência técnica, possuindo uma habilidade singular para transitar entre os blocos rivais da Guerra Fria. Sua gestão foi pautada pela neutralidade da agência, garantindo que a saúde pública global prevalecesse sobre as tensões ideológicas entre Washington e Moscou, mantendo o foco sempre na entrega de resultados sanitários concretos.

Sua trajetória foi marcada por dois grandes desafios epidemiológicos de escalas opostas. Candau enfrentou a frustração da tentativa de erradicação da malária, que, apesar dos esforços monumentais, não atingiu o objetivo final e precisou ser convertida em programas de controle. Em contrapartida, foi o grande arquiteto do sucesso contra a varíola. Em um feito diplomático histórico, Candau conseguiu que Estados Unidos e União Soviética colaborassem diretamente: enquanto os soviéticos forneciam grandes quantidades de vacinas, os americanos garantiam o suporte financeiro e logístico. Essa cooperação inédita sob sua liderança foi o que permitiu que a varíola fosse, anos mais tarde, declarada a primeira doença humana totalmente eliminada do planeta.
Leia mais sobre Marcolino Gomes Candau em artigo na revista Piauí.





