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A economia e meu caminho na ONU

  • Renato Baumann
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

Série: Minha História nas Nações Unidas

Fevereiro / 2026


Nasci no Rio de Janeiro, em 1950, mas Brasília - onde moro desde 1958 - foi onde construí minha base. Minha formação foi moldada pelo CIEM (experiência única em ensino médio, já extinto) e pela UnB, onde me graduei e fiz mestrado, e consolidada em Oxford, onde fiz o doutorado (DPhil) em Economia, completado em 1982. Essa base acadêmica me permitiu, ao longo de 50 anos de serviço público, contribuir com algumas ideias, participação em órgãos colegiados e gestão de algumas unidades. Minha dissertação de mestrado recebeu o Prêmio BNDE de Economia em 1978 e minha tese de doutorado foi agraciada com o Prêmio Haralambos Simeonidis em 1983.


Casei-me em 1976 com Mariadelaide. Tivemos três filhos - Ana Amélia, Sérgio e Marcelo, que nos deram a alegria de seis netos: João Vitor, Cecilia, Nicolas, Sofia, Lucas e Manuela. Eles são o lembrete constante de que a economia só faz sentido se servir às gerações futuras.

O economista Renato Baumann
O economista Renato Baumann

Meu ingresso na CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) foi fruto de uma dessas surpresas do destino. Em 1989, eu dirigia a área internacional do IPEA quando surgiu uma vaga para o escritório da CEPAL em Brasília. Concorri, mas a posição ficou com a querida amiga Vivianne Ventura.


Contudo, o Secretário-Executivo à época, Gert Rosenthal, insistiu que eu deveria assumir uma posição na sede, em Santiago. Jamais tinha me ocorrido morar no Chile, mas aceitei o desafio em outubro de 1989 como Oficial de Assuntos Econômicos. O que era para ser uma fase curta tornou-se uma imersão de 21 anos no multilateralismo, onde aprendi que o regionalismo e a integração são chaves importantes para o desenvolvimento. Em 1995 tive a oportunidade de regressar ao Brasil e logo assumi a Direção do Escritório da CEPAL.


Minha história na CEPAL tem momentos que guardo não apenas como marcos profissionais, mas como lições de vida. Se eu tivesse que resumir o que foi mais importante, focaria na construção de pontes institucionais.


Primeiro, o esforço de aproximar a CEPAL da academia brasileira. Em Santiago, coordenei programa de seminários semanais. Como Diretor do Escritório no Brasil (cargo que exerci de 1995 a 2010), meu objetivo era que o trabalho da Comissão se tornasse conhecido e dialogasse com os economistas brasileiros. Criamos sessões especiais da CEPAL na ANPEC e a linha de publicações IPEA-CEPAL. Não queríamos que nossos textos fossem "literatura de prateleira", mas ferramentas vivas de debate.


Em segundo lugar, a atuação em grandes momentos nacionais. Em 1996, coordenamos um evento histórico com o Presidente Fernando Henrique Cardoso e o Ministro Antonio Kandir para comparar experiências internacionais de estabilização de preços no segundo ano do Plano Real. Outra lembrança forte foi a organização do Período de Sessões da CEPAL em Brasília, em 2002.


Por fim, guardo com carinho experiências de intercâmbio técnico que ampliaram meus horizontes: o mês que passei na sede da ONU em Nova York corrigindo provas de seleção para o nível P-3 — uma imersão necessária nos bastidores da burocracia global — e os seis meses no Banco Mundial, em Washington, comparando os processos de desenvolvimento da Ásia e da América Latina.


Reconhecimentos e o "Pijama Compulsório"

Ao longo desse percurso, publiquei 18 livros e dezenas de artigos. Tive a honra de receber o Prêmio Jabuti em 2007, por participação com um capítulo no livro Celso Furtado e o Século XXI, e o Troféu Cultura Econômica em 2004, pelo livro Economia Internacional – Teoria e Experiência Brasileira. Mais do que prêmios, essas conquistas refletem o prazer de lecionar por quase quatro décadas na UnB e no Instituto Rio Branco, formando gerações de diplomatas brasileiros. Além de cursos esporádicos na Fundação Getúlio Vargas, na Universidade de Oxford e na Universidade de Andaluzia.


Participando em evento em Johannesburgo, 2025
Participando em evento em Johannesburgo, 2025

Atuei em posições desafiadoras mesmo após a CEPAL, como na CAMEX e no Ministério do Planejamento, e novamente como Diretor no IPEA, e essa inquietude me acompanha.


Em setembro de 2025, encerrei formalmente meu ciclo de 50 anos no serviço público, dada a limitação legal por idade. Fui para o que chamam de "pijama compulsório", mas não aceito o repouso absoluto. Sigo o conselho de Harry Gordon Johnson: "Não queira ser conhecido pelo que já fez, seja conhecido pelo que está fazendo". Nesta nova fase, continuo produzindo. Publico reflexões no LinkedIn e esporadicamente artigos em jornais, e estou finalizando um artigo sobre Geoeconomia e Economia.


Minha história nas Nações Unidas pode ter mudado de capítulo, mas o percurso — embora "incompleto", como intitulei meu livro recente — continua sendo escrito com a mesma vontade de apontar caminhos e debater o futuro do nosso país.

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