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Chegou a vez de uma mulher latina à frente das Nações Unidas?

  • AAFIB
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura


Foto 1 - Michelle Bachelet 2019, crédito:BMEIA-Eugenie Berger/WikimediaCommons

Foto 2 - Rafael Mariano Grossi, crédito: Dean_Calma/WikimediaCommons

Foto 3 - Rebeca Grynspan, crédito: Gustavo Barreto/WikimediaCommons


A lista oficial de candidatos e candidatas ao cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas – que deve assumir em 1º de janeiro de 2027 - ainda é pequena, neste início de 2026. No entanto, pelo menos dois estados-membros já oficializaram suas indicações: Chile, com o nome de Michelle Bachelet, e Argentina, com Rafael Grossi.

 

Bachelet é ex-presidente do Chile, atuou como Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos e como Diretora executiva da ONU Mulheres.

Também com a intenção de eleger a primeira mulher para o cargo na história da ONU, ela ganhou o apoio do Brasil e do México.

 

Grossi é atualmente diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em seu segundo mandato, e é diplomata de carreira com décadas trabalhando em prevenção de conflitos e segurança internacional. 

 

O terceiro nome que mais aparece na mídia, embora ainda não formalmente indicado, é o de Rebeca Grynspan. Foi vice-presidente da Costa Rica, é economista e atual chefe da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

 

Como ainda há tempo para indicações por parte dos estados-membros, outros candidatos ou candidatas ainda podem surgir. O que muitas discussões na web apontam é que teria chegado o momento de termos uma Secretária-geral nas Nações Unidas. E, além de contemplar o gênero, seria a vez da América Latina emplacar um nome por uma questão de rodízio regional, já que os últimos mandatos foram da Ásia e da Europa Ocidental. O assunto tem suscitado debates em meio à maior crise de credibilidade que a ONU já enfrentou.

 

Entenda o processo da eleição

 A eleição para o cargo de Secretário-geral das Nações Unidas acontece em duas etapas que envolvem o Conselho de Segurança (CS) e a Assembleia Geral (AG) das Nações Unidas. Os(as) candidatos(as) são propostos pelos estados-membros e são apresentados pelo Conselho de Segurança; sendo que o nome está sujeito a veto por parte dos membros permanentes do CS, como acontece na maioria das decisões importantes na ONU. Os cinco países que integram o CS são China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.

 

Uma vez que o CS escolhe um nome, a pessoa é recomendada à Assembleia Geral, que tradicionalmente indica a pessoa recomendada por consenso. Caso o voto formal seja solicitado, ganha quem tiver a maioria mais um.

 

O calendário é o seguinte: a pessoa eleita toma posse em 1º de janeiro de 2027, de acordo com as regras das Nações Unidas e as indicações devem ser submetidas até o dia 1º de abril de 2026. Este prazo é recomendado, mas não juridicamente vinculativo: indicações tardias ainda podem ser consideradas.

 

Na semana de 20 de abril deste ano, ou após o prazo de apresentação das candidaturas consultivas, têm início os Diálogos Interativos por videoconferência, convocados pelo presidente da AG. São discussões públicas em que os candidatos apresentam suas visões e respondem a perguntas dos estados-membros.

 

O CS deve planejar iniciar sua fase formal de seleção até o final de julho de 2026 — é quando começará a considerar as indicações e a realizar consultas, incluindo votações informais entre os membros do Conselho.

 

Em meados de 2026, os estados-membros poderão ainda continuar indicando candidatos, compartilhando declarações e participando de consultas. O CS avaliará os candidatos e fará rodadas de votações informais e quando chegar a um consenso indicará o nome à Assembleia Geral.

 

No final de 2026 a AG vota para nomear o(a) candidato(a) recomendado(a) como Secretário(a)-geral para um mandato que começa em 1º de janeiro de 2027 vai até final de 2031.







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