Sobre Luiz Carlos da Costa

 

Por Carlos Stozek Filho


Ontem completou um ano desde o trágico desaparecimento no Haiti, de nosso amigo e colega Luiz Carlos da Costa.
Meu último contato pessoal com ele foi em Jerusalém, em junho de 1993, quando eu, minha esposa e dois filhos menores visitávamos um velho amigo, o Jan Wortel, holandês, que era o Diretor de Administração da UNTSO, com Sede no Government House em Jerusalém.
Luiz Carlos apareceu por lá em missão, em seu cargo de Director of Field Services.
Foi um prazer enorme vê-lo novamente e recordar nossos tempos na ONU em Nova York. Ele de mensageiro (G-2) e eu como Security Officer (G-3). Isto lá pelos anos 70. Não muito tempo depois, ele foi promovido para Documents Officer, distribuindo documentos nas salas de reuniões. Nestas ocasiões, tínhamos amplo tempo para botar nossos assuntos em dia. Ele apontava para o setor onde sentavam o presidente da mesa e seus auxiliares e dizia:"Meu sonho é sentar lá algum dia!"

Meu irmão Jorge, que passou uma temporada em Nova York, chegou a dividir com ele e outros brazucas, um apartamento no centro de Manhattan.

Luiz Carlos, sempre muito enérgico e batalhador, começou a tomar classes às noites em universidades de lá. Formou-se e isto lhe ajudou muito em passar de "G" a "P" e ir galgando posições na ONU.

O Jan Wortel, que também começou a carreira como Security Officer, nos levou um domingo a passear. Visitamos o Mar Morto, as colinas e abismos de Quram, e a fazer compras de bugigangas num empório de um palestino no centro de Jericó, tudo observado por soldados de exército israelense, que ficavam no topo de uma torre na praça da cidade.

Dia seguinte, sentados num rústico restaurante de Caesarea, usado por arqueólogos que abundam por aqueles lados, o Luiz Carlos nos contou que aos vinte anos de idade, tinha ido a Nova York para comprar uma sela de cavalo e acabou ficando por quase quarenta anos. Ele era grande adepto do hipismo aqui no Rio.

Maria Cristina, sua esposa, me mencionou que Luiz Carlos era uma pessoa bastante exigente, e eu conheci esse lado seu ao levar uma bronca dele ao saber que eu não lecionava o idioma inglês para meus dois pequenos filhos, na época com sete e oito anos de idade. Me desculpei, dizendo que já era difícil para eles estarem aprendendo o espanhol e agora o português no Brasil.
Dias antes de sua morte, Luiz Carlos soube que tinha sido mencionado como candidato ao prêmio "Faz Diferença" da Organização Roberto Marinho.
Nossos profundos sentimentos de pesar vão para Maria Cristina, sua filhas Anna Maria, Marianne e familiares.