O outono de nossas vidas
- AAFIB
- há 3 dias
- 3 min de leitura
Atualizado: há 5 horas
O primeiro impacto está na cena inicial: a plateia entra no auditório, todo escuro, e logo percebe que os atores já estão presentes em lugares incomuns nas apresentações de teatro... A descrição mostra o impacto gerado logo no começo da performance “O outono de nossas vidas”, uma apresentação feita com atores 60+ construída de forma admirável e que conta com a participação ativa de nossa vice-presidente, Maria Helena Henriques Mueller. A performance estreou em junho, na Casa de Cultura de Paraty, e será apresentada de novo na abertura da FLIP, a Feira Literária de Paraty, que este ano realiza a sua 24ª edição nessa cidade do estado do Rio de Janeiro, de 22-26 de julho. E vale um convite: que tal assistir a esta exibição?

A apresentação tem uma história interessante e está relacionada à AAFIB: tudo começou no ano passado quando Maria Helena, a Mena, idealizou eventos AAFIB Connection sobre Longevidade, com o apoio da diretoria da Associação. Eram eventos virtuais que contaram com a participação de vários especialistas de áreas correlatas e promoveram debates com os associados sobre longevidade, envelhecimento e outros temas. Em seguida veio a parceria com a Casa da Cultura de Paraty e o nome dos eventos mudou, passaram a se chamar Diálogos para a Longevidade. Com uma diferença: os encontros tornaram-se mistos, virtuais e presenciais em Paraty. No total, entre virtuais e mistos, foram realizados nove encontros de janeiro a outubro de 2025 (a exceção foi o mês de fevereiro).
A partir desses eventos surgiram três projetos em Paraty, todos com a Casa da Cultura: aulas de dança chamadas Corpo e Expressão; aulas de Letramento Digital e as Expedições Longevidade, atividades voltadas a pessoas 60+. Até hoje, as iniciativas contam com grande participação dos moradores da cidade.
O curso Corpo e Expressão começou em março de 2026 e, mesmo sem ter ideia se conquistaria o interesse do público local, logo na primeira aula compareceram 38 mulheres e 4 homens, para a surpresa dos organizadores. Ao longo dos meses, o grupo participou ativamente de 2h de aula semanais até que, final de abril, Jackie Motta, uma professora de dança e coreógrafa também 60+, que trabalhou com Deborah Colker quando ambas estavam no Cirque du Soleil, sugeriu que o grupo estava preparado para fazer uma performance. “Essa informação caiu como um raio de curiosidade e surpresa para todos nós”, relembra Maria Helena rindo, “éramos todos com mais de 60 anos, com vários acima de 80, de todos os tipos físicos que possamos imaginar – altos, baixos, magros, gordos, cabelos verdes, brancos, pretos... No final, algumas pessoas desistiram da performance, mas se mantiveram nas aulas.”

Em junho, a performance intitulada “O Outono de Nossas Vidas”, foi apresentada pela primeira vez, na Casa da Cultura de Paraty, com participação de 28 pessoas, 24 mulheres e 4 homens (* ver nomes dos participantes no final do texto). “Foi lindo, realmente lindo. O espetáculo é de uma criatividade incrível. E foi um pouco o resultado da nossa reflexão de como nós chegamos nesta etapa da vida, o que significa para gente o outono e o que significa o outono referente às nossas vidas”, completa Mena.
A apresentação foi um sucesso: o auditório foi “vestido” com cores outonais e a plateia reuniu crianças, adolescentes, jovens e adultos que se emocionaram, junto com os atores, durante a apresentação. E ficou clara a surpresa da audiência que nunca tinha imaginado ver pessoas dessa faixa de idade em uma apresentação bonita e demonstrando a felicidade de estarem ali em sua maior expressão. A constatação aconteceu a partir de conversas depois da apresentação. “Foi incrível, todos amaram. E nós continuamos acrescentando outros ingredientes à performance na intenção de reverter a imagem tão negativa que os longevos têm essa sociedade que os esconde”, conta Maria Helena.
Um dos principais efeitos da performance nos participantes foi um aumento da autoconfiança, já que o processo promoveu reflexões sobre a autoimagem de cada um. Outro ponto foi observado pelos próprios atores foi a demonstração de união e integração entre as pessoas em um conjunto tão diverso. Após a apresentação na abertura da FLIP 2026, o grupo prosseguirá planejando as atividades do segundo semestre.
( * ) Os seguintes atores participarem da primeira apresentação da performance, em junho de 2026:
Adelina Yuriko Imamura; Celso M C Giannini; Cyntia Tavares Vilela Chirico; Eric Schmitt; Erasto Eiras; Esmeralda da Costa Farias Leonardi; Esméria de Fátima; Geni Zveiter; Jackie Motta; Josefina Murta; Lidia Macedo; Lourdes Fonseca; Lucia Costa; Lucia da Silva Nassif Ribeirinha; Maria Cenaida Guzman; Maria da Costa Carvalho; Maria Georgina Iotty da S. Bulhões; Maria Helena Mueller; Maria de Lourdes; Maria Lúcia Nejm de Carvalho "Malu"; Meire Lucia C Brito; Rachel Pedroso de Almeida; Siltes Camargo; Silvana Basile Vidal; Silvana Mara Diniz; Stefan Beck; Sylvia Junghähnel e Tieco Ossugui.









