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Brasileiros e brasileiras com destaque na ONU: Bertha Lutz

  • AAFIB
  • 31 de mai.
  • 2 min de leitura

Bertha Maria Julia Lutz nasceu em São Paulo, em 1894, filha do renomado epidemiologista Adolfo Lutz e da enfermeira inglesa Amy Fowler. Formou-se em Ciências Naturais na Sorbonne, em Paris, em 1918, com especialização em biologia de anfíbios. Ao retornar ao Brasil, tornou-se a segunda mulher a ingressar no serviço público federal por concurso, assumindo o cargo de bióloga no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Paralelamente à carreira científica, fundou em 1922 a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), liderando a campanha que resultou na conquista do voto feminino no Brasil em 1932. Em 1934, foi eleita deputada federal, exercendo o mandato até o fechamento do Congresso pelo Estado Novo em 1937.


Em 1945, Lutz foi designada pelo governo brasileiro como delegada à Conferência de São Francisco para a elaboração da Carta das Nações Unidas. Entre os 160 delegados presentes, ela foi uma das únicas quatro mulheres a assinar o documento de fundação da ONU, ao lado de Minerva Bernardino (República Dominicana), Virginia Gildersleeve (Estados Unidos) e Wu Yi-fang (China). Durante as negociações, Lutz atuou de forma técnica para garantir que o preâmbulo da Carta não utilizasse apenas o termo genérico "homens", mas que incluísse explicitamente a expressão "igualdade de direitos entre homens e mulheres".



Sua atuação diplomática antecipou-se ao cenário internacional ao propor formalmente a criação de uma entidade autônoma dentro da ONU dedicada aos direitos das mulheres. Apesar da oposição inicial das delegações norte-americana e britânica, que consideravam a distinção desnecessária, a persistência de Lutz e do bloco de delegadas latino-americanas resultou na criação da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW) em 1946. Este órgão tornou-se a base para todas as futuras convenções internacionais sobre o tema e para a eventual criação da atual ONU Mulheres.



O legado de Bertha Lutz une a pesquisa científica à arquitetura do direito internacional moderno. No Museu Nacional, onde trabalhou até a aposentadoria, deixou uma vasta produção acadêmica e descreveu diversas espécies de anfíbios (como a pequena espécie de rã Paratelmatobius lutzii). Para a ONU e para o Brasil, sua contribuição consolidou o princípio de que a igualdade de gênero é um pilar estatutário da paz e da segurança global. Bertha Lutz faleceu no Rio de Janeiro em 1976, sendo reconhecida internacionalmente como a principal arquiteta da inclusão dos direitos das mulheres na Carta das Nações Unidas.

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